ORÍ – A LUZ DIVINA QUE NOS HABITA 2 parte

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 ORÍ – A LUZ DIVINA QUE NOS HABITA 2 parte

 2ª. Parte:Orí, a divindade do homem – O segredo revelado

 Por Ifá Korede Emerson Fernandes

 

Ajalárecebeu deOlodunmarea incumbência de modelar oOrí,a cabeça dos seres humanos.

Sempre que alguém está para reencarnar, vai atéAjaláescolher uma cabeça.

Juntamente com oOrí, a pessoa estará também aceitando o seu Odú, determinado porOrunmilá, só então, será acolhida pelo seuOrisá. Tanto o Odu como oOrisásó podem ser desvendados através do oráculo,Ifá.

 O local de onde Ajalá retira a massa para modelar o Orí é chamado ipori e aí se encontra a herança genética de cada um, em especial do pai e da mãe. Assim, tendoOríem si um componente de ancestralidade, as pessoas devem, também, venerar os seus antepassados, culto a Egungun.

Sobre a filosofia deOrunmilá-Ifáacredita-se que o homem é constituído dos seguintes elementos:

ðAra– Corpo Físico – é considerado a morada da consciência de Deus, no homem. É a materialização do espírito no mundo.

 

ðÒjìji– Sombra – é aquela que nos acompanha. Uns crêem, sem função alguma, outros que o espírito humano reside na própria sombra e a vêem como representação plasmática do espírito ou fantasma humano.

 

ðOkàn– Alma, espírito, coração ou consciência – é entendida como aquela que possuí a função de alimentar a ação, o pensamento e a inteligência do homem.

 

ðÈmí– Vida ou Respiração – reside nos pulmões, está associada ao espírito e a força vital que nos permite ações e movimentos;Èsùbara – Esudo corpo, por um determinado período, pois quando se esvai, o homem morre.Èmíé vista como o agente principal dos processos de Criação de todas as formas de vida do Universo e representa a continuidade através das mortes, dos nascimentos e renascimentos.

 

ðOrí– Cabeça – é entendida como principal divindade do homem (Òrisá). Forte e poderosa, nos acompanha durante toda existência, ajudando-nos e acompanhando-nos desde o nascimento até o dia da morte. Traçando ou definindo o destino, pode facilitar ou complicar a realização dos nossos desejos.

 

Oríse subdivide em duas partes:

 

1.Orí Odè – A cabeça física- é o crânio humano, onde está o cérebro, esta é a responsável pela organização dos pensamentos e controle das outras partes do corpo; consciente ou inconsciente; É uma guardiã atenta mesmo quando o indivíduo se encontra em estado de inconsciência, dormindo por exemplo. Conclui-se daí que o ser humano depende de sua cabeça para representá-lo dentro do macro-cosmo, pois os sonhos, “as vezes”, aparecem como avisos de sua Alma Guardiã no céu.

 

2.Orí Inú - cabeça Interna ou espiritual –é a mais complexa, por conter as partículas Divinas deixadas dentro do homem e representar a origem ancestral da humanidade e não as origens de um indivíduo em particular; guardadas aí estão todas as informações sobre a Criação do homem.

 

2.1.APARÍ-INÚ- Parte interna da cabeça, é a Partícula Divina deixada no homem e aparece para possibilitar a ligação do Ser Criado com o Criador,Olódùnmarè, e com sua Mãe, poisApári-Inúé o umbigo. Esta é a parte da Orí, cabeça, responsável pela formação do caráter do homem e, ao mesmo tempo, aparece como opositora deste mesmo caráter – apresentado como individual – para delimitar o livre-arbítrio e forçar o sujeito a usufruir dos seus erros e acertos e conquistar seu próprio espaço. Pois, o indivíduo pode nascer para o mundo com uma boa Orí, cabeça, porém, se o caráter não for compatível, o comportamento ruim pode estragar o destino. Entretanto, quando há dificuldades que não forem causadas pela falta de bom comportamento da pessoa ou porque tenha sido influenciada por outra pessoa de caráter ruim a se comportar mal, isso pode ser mudado com alguns rituais, por não fazer parte do seu destino – as dificuldades aqui foram causadas.

 

2.2.ORÍ-ÀPÉRÉ– Cabeça Padrão – é a divindade interna do ser humano que descreve o padrão de sua individualidade e da sua responsabilidade no cumprimento do seu destino

 

OORÍ-ÀPÉRÉSe divide em duas partes:

 2.2.1.ÀKÚNÈYÀN- é a parte da cabeça que, ajoelhados diante deOlórun, pegamos no Céu. É uma parte do destino escolhido – livre-arbítrio – pela Alma Guardiã Ancestral na casa de Àjàlá, Oleiro do Céu, na ocasião que está se preparando para reencarnar na Terra, e define – o tempo de vida, as conquistas almejadas e a qual família terrena irá pertencer. Ajoelhada diante Olórun, a esta Alma é oferecida a oportunidade de escolher o próprio destino.

 

O destino determina se a pessoa será rica, feliz, gentil, sábia, popular, ou se pobre, impopular, desumana, extravagante, etc. Fixa o número de filhos e a ocupação que deve ter.

 Se a pessoa aprende com rapidez um ofício ou executa uma tarefa melhor que o seu professor, todo mundo diz que suas habilidades provêm de Olórun como parte do destino que recebeu. Do mesmo modo, se a pessoa é lerda e tem dificuldades para aprender um ofício, também dirão – provém de Olórun e que suas aflições não podem ser rastreadas, pois não há qualquer agente maligno.

Ninguém pode mudar o destino escolhido no Céu. Entretanto, pode preservá-lo mediante atos de oferecimento aos Ancestrais Guardiões,Orí Ìpònrí, e a sua divindade pessoal, Orisá. Também pode prejudicá-lo, quebrando os tabus,ewó, estabelecidos ou mediante a aplicação de medicinas negativas,õgùn, e feitiçaria,ofò ibi.

O papel do Oráculo de Ifá é somente o de aconselhar o indivíduo sobre aquilo que deverá fazer para que o seu destino não seja tão ruim quanto pode, diante das ações dos maldosos ou por negligência dele mesmo. Pois, fazendo oferendas para a própria cabeça, assegurará todas as bênçãos a que fizer jus, mesmo que a pessoa não possua uma cabeça tão boa.

Ifádiz – “O destino pode ser modificado – quando há interferência – o caráter não pode ser modificado”. Pois, estabelecido como roteiro para a vida, pode trazer muitas bênçãos se seguido a fim de consumá-lo. Bastando viver de modo a completar o período de vida previsto, oferecer orações, sacrifícios apropriados, empregar medicinas protetoras e comportar-se corretamente em todos os sentidos – mais ninguém consegue tudo isso! É um jogo duro no qual a disputa com Deus e Deuses, o homem tenta igualar o comportamento de ambos num mundo onde não há anjos.

 

2.2.2.ÀYANMÒ– Destino – apesar de ser o destino em si, é a parte da Orí, cabeça que não aceita rituais curativos ou preventivos. Não aceita qualquer mudança. É responsável pelo caráter interno e externo: sexo, aparência, pai, mãe, Karma, etc. As oferendas não mudam isso.

Bibliografias consultadas:

As Religiões Africanas no Brasil - Roger Bastide

Orí, A Divindade do Homem - O Segredo Revelado - Orlando J. Santos

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